
Cada edição inclui a tradução do simplificado e a do original em português.
O Castelo Azul
Edições disponíveis
No mesmo ebook
Dois textos ligados e dois glossários, com traduções em português.
Aos vinte e nove anos, a apagada Valancy Stirling nunca viveu de verdade, sufocada pela tirania de uma mãe fria e de uma parentela zombeteira em uma monótona cidade canadense e refugiando-se apenas em devaneios sobre um Castelo Azul imaginário. Quando uma carta de um médico lhe informa que ela tem uma doença cardíaca grave e talvez apenas um ano de vida, algo dentro dela se liberta. Valancy começa a dizer exatamente o que pensa, enfrenta os parentes escandalizados e sai de casa para cuidar de uma antiga amiga à beira da morte e do pai mal-afamado dela. Com ousadia, pede Barney Snaith em casamento, um homem misterioso sobre quem corre o boato de ser criminoso, e encontra uma felicidade inesperada na ilha dele. À medida que o amor e o respeito por si mesma florescem, uma descoberta surpreendente sobre sua saúde e a verdadeira identidade de Barney faz de sua história uma narrativa de libertação, romance e segundas chances.
Escolha seu formato
Seu livro, também para ouvir. ↗Simplificado B1
Simplificado EN
That was the real pain. Valancy did not mind so much being an old maid. She thought it could not be as bad as being married to an Uncle Wellington or an Uncle Benjamin, or even an Uncle Herbert. What hurt her was that she had never had a chance to be anything else. No man had ever wanted her. Tears came to her eyes as she lay alone in the slowly lightening dark. She did not dare cry as much as she wanted to. First, she was afraid that crying might bring back the pain around her heart. She had had a worse attack after going to bed. Second, she was afraid her mother would see her red eyes at breakfast and keep asking tiny, annoying questions about why she had been crying.
Simplificado PT
Essa era a dor de verdade. Valancy não se importava tanto em ser solteirona. Ela pensava que não podia ser tão ruim quanto ser casada com um tio Wellington, um tio Benjamin, ou até um tio Herbert. O que a machucava era nunca ter tido a chance de ser outra coisa. Nenhum homem jamais a tinha querido. Lágrimas vieram aos seus olhos enquanto ela ficava deitada sozinha na escuridão que clareava devagar. Ela não ousava chorar tanto quanto queria. Primeiro, ela tinha medo de que chorar pudesse trazer de volta a dor em torno do coração. Ela tinha tido uma crise pior depois de ir para a cama. Segundo, ela tinha medo de que a mãe visse seus olhos vermelhos no café da manhã e ficasse fazendo perguntinhas irritantes sobre por que ela tinha chorado.
Original
Original EN
Ay, there lay the sting. Valancy did not mind so much being an old maid. After all, she thought, being an old maid couldn’t possibly be as dreadful as being married to an Uncle Wellington or an Uncle Benjamin, or even an Uncle Herbert. What hurt her was that she had never had a chance to be anything but an old maid. No man had ever desired her. The tears came into her eyes as she lay there alone in the faintly greying darkness. She dared not let herself cry as hard as she wanted to, for two reasons. She was afraid that crying might bring on another attack of that pain around the heart. She had had a spell of it after she had got into bed—rather worse than any she had had yet. And she was afraid her mother would notice her red eyes at breakfast and keep at her with minute, persistent, mosquito-like questions regarding the cause thereof.
Original PT
Sim, aí estava o espinho. Valancy não se importava tanto em ser solteirona. Afinal, pensava, ser solteirona não podia ser tão terrível quanto estar casada com um tio Wellington, um tio Benjamin ou mesmo um tio Herbert. O que a magoava era nunca ter tido a oportunidade de ser outra coisa. Homem algum jamais a desejara. Lágrimas lhe vieram aos olhos enquanto jazia sozinha na escuridão que começava vagamente a clarear. Não ousava chorar com toda a força que desejava, por dois motivos. Temia que o choro provocasse outro ataque daquela dor em torno do coração. Tivera uma crise depois de se deitar — um pouco pior que todas as anteriores. E temia que a mãe notasse seus olhos vermelhos no café da manhã e a perseguisse com perguntas minuciosas, persistentes e semelhantes a mosquitos sobre a causa daquilo.



